
Algures, onde começa o arco-íris, nasce a paixão, envolta em suaves raios de luz da manhã, nasce a vida, renovada melodia, enche o sentir, dolentes acordes, explode a cor, solta-se o incontido perfume das flores, cintilam as águas nos lagos, adormecem as sombras, dançam as árvores no embalo do vento, o céu marca encontro com a terra, uma hortênsia vestida de azul, a água sempre presente no seu incontido movimento, carrega o som pungente do sino, o assobio do menino a vida a caminhar rumo a cada destino…
Algures, onde acaba o arco-íris, escondem-se as sombras, as desventuras, o pranto dos deuses a falsa ternura, a dor, o palhaço de rosto vazio de cor, um balão solto da mão de uma criança o vago que resta da esperança, o sonho vazio, a falsa promessa, a fria mentira, a triste despedida do sol que abandona o dia…
Algures, no espaço intermédio entre o sonho e a fantasia, nasce cada arco-íris da lágrima sentida e fria solta dos olhos de uma criança levada pelas asas do tempo, tocada pela magia…